Dessa vez uma paráfrase dupla: ela foi baseada em duas reportagens diferentes. A primeira, Segredo Nuclear, saiu na Istoé Dinheiro de 14/04/04, e a segunda saiu na Veja e o título é Uma questão de transparência (sem link aqui, porque o site da Veja é restrito a assinantes). Duas reportagens sobre o mesmo assunto, mas com pontos de vista diametralmente opostos. Eu tentei fazer essa paráfrase procurando o "caminho do meio", mas não sei se consegui. Em todo o caso, aí vai:
Inspeções nucleares no Brasil
As inspeções nucleares solicitadas ao Brasil pela Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) estão causando polêmica, porque o governo recusa-se a assinar os papéis autorizando-as. Não existe nenhuma lei internacional que obrigue um país a abrir suas instalações e a revelar segredos industriais, o que no nosso caso seria o funcionamento das ultracentrifugadoras, avançadíssimas para o padrão internacional. A alegação dada é a de que o país poderia estar produzindo urânio com fins não-pacíficos, devido à falta de transparência do programa nuclear brasileiro, mas pode haver um interesse comercial americano por trás disso.
Os equipamentos para enriquecimento de urânio podem ter sido obtidos pelo Brasil de maneira obscura. Os fornecedores eram informados de que esses equipamentos serviriam para fabricar aviões e foguetes, e não para fins nucleares. Isso em parte ocorreu porque, desde que o Brasil comprou Angra I dos alemães, em 1975, o chamado "clube atômico", liderado pelos EUA, bloqueou o acesso do país à tecnologia do combustível, o que obrigou a nação a agir por conta própria, ainda que usando meios heterodoxos. Outro motivo para tal obscurantismo foi o fato do desenvolvimento nuclear ter permanecido por anos como prioridade militar, e não científica.
Alega-se que uma pressão velada dos fornecedores do Brasil (Itália e Alemanha) estaria impedindo a assinatura da autorização. Entretanto, no ano passado o país recebeu seis equipes de inspeção da Aiea, e apesar das análises não terem sido tão profundas quanto as que se pretende fazer, não foram constatadas irregularidades ou sinais da fabricação do urânio enriquecido a 99%, para fabricação da bomba atômica. De acordo com declarações oficiais dadas pelos EUA, colocando o Brasil quase como um quarto membro do Eixo do Mal, a busca de urânio para bombas atômicas por aqui seria como a busca de armas biológicas no Iraque: apenas uma desculpa para algo maior, no caso descobrir o que faz nosso processo de enriquecimento de urânio ser melhor que o deles.
Alguns acham que os EUA não teriam poder para manipular a Aiea, mas convém lembrar que o país é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, e tem grande poder a esse respeito. Descobrir o segredo nuclear brasileiro, que faz o nosso processo de enriquecimento de urânio ser mais barato e econômico, é interessantíssimo para um país que depende tanto da energia nuclear para tudo, como os EUA.
Ok, ok, nós temos um processo avançado e eficiente para enriquecer urânio, mas isso só serviria para o mercado externo mesmo, porque a matriz energética do Brasil é hidrelétrica, e Angra I continua sendo a eterna pisca-pisca de sempre. Casa de ferreiro, espeto de pau.
Quanto aos americanos, se estiverem realmente com algum interesse altruístico pela paz mundial para pedir essas inspeções (o que eu duvido muito), não deveriam se preocupar tanto. Afinal, se mesmo com todo esse urânio Angra não funciona direito, é bem provável que a bomba atômica brasileira simplesmente falhasse na hora H. Ou na pior das hipóteses se implodisse como os foguetes de Alcântara.
Só pra lembrar, o Brasil assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Agora, se estão pensando em revogar, aí já é outra história.
Surto postado por Midnight Maya às 14:27
Só um aviso: como eu já disse antes, semana que vem não tem post, pois estarei viajando para Uberlândia e só volto na segunda.
Postar no feriado? Talvez, quem sabe?
Surto postado por Midnight Maya às 22:52
Passando pelo Querido Leitor, da Rosana Hermann ,encontrei esse texto, lindíssimo, que fala um pouco mais sobre o que seria ter um blog, e por que ter um. Apaixonante.
*(dedicado a um amigo, que sabe quem é)
Ter um blog deveria ser um direito de todo cidadão. Blog é uma forma de cura. Ou pelo menos, de terapia.
O espaço em branco do post que ainda não foi feito é um tipo diferente de espelho, onde a imagem de você não vem pronta e invertida mas é construída com suas mãos e suas palavras. É um espelho escrito, que ao mesmo tempo descreve e organiza os sentimentos que fluem de dentro pra fora.
Isso acontece sempre quando a gente escreve, mas no blog, é diferente.
Porque no papel onde você rabisca pensamentos e sentimentos e acaba no fundo de uma gaveta, só existe a relação entre você e você. Mas no blog, acontece um momento mágico, quando você clica o botão para publicação.
Ao tornar público o seu espelho de palavras, você se lança ao mundo, expond0-se a tudo o que vier. Joga-se no abismo de braços abertos, com a fé de quem tem asas.
Cada post é um encontro, um pedido e um presente, um grito e um alento, reflexão, segredo, gargalhada. Blog é a certeza de que estar só não é estar ilhada.
O blog não tem o peso e o compromisso da eternidade do livro, não tem a seriedade do texto publicado em papel, não tem o glamur iluminado das entrevistas de televisão. Não tem a bossa vocal do rádio. Mas traz em sua natureza a possibilidade milagrosa da multiplicação instantânea, o alcance ilimitado de rodar o mundo, mesmo que esse mundo seja só seu pequeno círculo de amigos e leitores.
Todo mundo deveria experimentar ter um blog mesmo quem não quer ou tem medo disso. Pode-se começar escrevendo sem tornar os posts públicos. Pode-se experimentar uma segunda personalidade, um personagem para ser o autor. Pode-se fazer blogs ou flogs sem palavras. Nâo importa a forma, em algum lugar, você estará sempre buscando a expressão do seu código-fonte, tentando decifrar seus enigmas.
Os exibidos encontrarão publicidade, os tímidos praticarão a interatividade. Os solitários vislumbrarão parceiros. Os comentários dos blogs oram lapidam nossos defeitos, ora incentivam nossas qualidades, ora nos ajudam a adequar o tom das cores.
O fato é que, a relação viva e diária que se consegue com um blog é única. Necessária. Linda.
Claro, ainda existe preconceito por parte de muita gente que acredita que blog é ócio e prazer e portanto, pecado. Cada um acredita no que quiser.
Eu, acredito que em minha longa vida de escriba, meus anos de blog têm me transformado para melhor. Mesmo sabendo que sempre existiu e sempre existirá problemas, isso em nada interfere na intrepretação do todo. Achar que um blog não vale a pena por incidentes desagradáveis seria como você achar que não é feliz em sua vida porque há dois anos quebrou uma perna ou um braço.
Sempre que posso, divulgo o blog. Sempre que lembro, incentivo alguém a ter um blog. Muitos amigos e queridos leitores dizem isso pra mim, que começaram assim, aquecidos pela chama desta minha paixão blogueira. Mesmo porque, blog é isso, é uma rede dentro da rede.
Abrir um blog é atirar uma pedra no lago, é lançar a voz ao mundo, é acender uma luz: é lançar uma onda de vida no imenso campo do mundo. É aceitar que não sabemos de onde viemos ou porque estamos aqui e aproveitar a maravilha de aqui estarmos.
Acho que é por isso que estou sempre aqui.
Feliz da vida, porque você também sempre está.
beijos.
Rosana Hermann
Surto postado por Midnight Maya às 19:30
Por curiosidade mesmo, resolvi dar uma olhada no Blogs.br para ver quantas pessoas haviam clicado.
Resultado: 11 cliques em duas semanas.
Comentários: só um, o da Carol.
Portanto, 10 pessoas já passaram por aqui e não acharam o que procuravam (no mínimo).
Talvez eu devesse melhorar a descrição do meu blog no diretório do Blogs. Ou talvez deixar como está e esperar pra ver até onde isso vai.
Surto postado por Midnight Maya às 18:13
Essa aconteceu na terça-feira. Como eu já falei, estamos estudando argumentação em Produção de Texto (vulgo Redação), e o exercício do dia foi: pegue uma tese e desenvolva um argumento em cima dela. A tese era a seguinte: Os homens acumulam mais gordura na barriga que as mulheres.
Os argumentos que apareceram foram os mais diversos possíveis: fatores biológicos, vaidade feminina, cervejinhas de fim-de-semana, acomodação masculina (especialmente depois do casamento). Mas um colega meu escreveu alguma coisa mais ou menos assim:
"A mulher trabalha para o homem, fazendo comida para ele, enquanto este fica deitado na cama vendo TV, comendo e dormindo. Assim, a mulher tem mais tempo que o homem para ir à academia."
É. Nem mesmo anos de luta por um tratamento mais humano para as mulheres nos livraram de espécimes como esse, que associados às Gimenez e Rosinhas Matheus da vida, jogam tudo isso por terra.
Aliás, se pela concepção desse colega são os homens que ficam sem fazer nada o dia inteiro, e nós mulheres ralando, quem é que tem mais tempo mesmo?
Surto postado por Midnight Maya às 17:41
Antes de mais nada uma pequena explicação: essa paráfrase na verdade é uma tarefa mandada pelo mala meu professor de Redação, que acha que o povo do 3º ano anda tendo uma certa dificuldade em argumentar. Por isso, eu tenho que parafrasear uma matéria de revista por semana (além das tarefas de Redação normais), e já que esse blog também é um espaço de idéias, eu postarei uma paráfrase por semana, a partir de agora, devidamente comentada. Não estranhe se achar que já viu algo parecido: isso provavelmente é verdade. Essa foi baseada numa matéria da Veja de 7 de abril, intitulada O olho dos EUA no golpe de 64. Então, lá vai:
Os EUA e o golpe de 64
Ainda há controvérsias a respeito do papel desempenhado pelos EUA no golpe que derrubou João Goulart em 1964, mas a versão mais aceita é aquela na qual o governo americano entrou na história como observador, disposto a ajudar os golpistas se algo saísse errado. Essa versão é confirmada por uma nova leva de documentos secretos divulgados pelo National Security Archive por ocasião dos quarenta anos do golpe.
Segundo esses documentos, os agentes da CIA estavam tão bem informados a respeito do golpe que puderam prever sua realização com certa precisão, e até mesmo onde começaria (Minas Gerais). Recebiam com frequência pedidos de apoio de conspiradores, mas viram mais firmeza em Castello Branco, cujo grupo tinha mais liderança e comprometimento com a democracia, segundo a visão deles. Eles também preparavam um avião com armamentos para os militares golpistas, mas tal auxílio não foi necessário, pois não houve resistência imediata.
Além dos agentes da CIA, outra fonte de informações usada pelos americanos foram os relatórios enviados pelo embaixador Gordon, resultado de conversas com políticos, jornalistas, militares e empresários influentes. O adido do Exército americano Vernon Walters tinha um papel de destaque no trabalho de inteligência, e já conhecia Castello Branco desde a II Guerra. Era a fonte das negociações entre militares e a CIA, mas não participou diretamente dos preparativos do golpe.
A disposição do governo americano em apoiar os golpistas se justifica pelo contexto da Guerra Fria. Por suas ações, João Goulart era considerado um comunista pelo governo americano, e o que estava em jogo era a supremacia da democracia sobre o comunismo soviético. Por isso, eles fariam o que fosse preciso para tirar Goulart do poder, mas tudo deu tão certo que não houve necessidade de interferência direta dos americanos.
Segundo minha professora de História, a situação confusa que o Brasil vive hoje pode levar à instalação de uma nova ditadura, que não seria militar, mas sim civil. A minha opinião sobre ditaduras em geral (e não só sobre o regime militar) está no post Malentendidos, e acho que está bem clara: essa idéia não me agrada nem um pouco.
Ela também falou que esse pode ser o único jeito de consertar o país, devido à situação atual. Tenho minhas dúvidas. Ou talvez eu seja só uma sonhadora, que ainda acredita que esse Brasil vai se consertar pela democracia.
Esperemos.
Surto postado por Midnight Maya às 15:10
Paradoxo: estou postando aqui simplesmente para afirmar que não tem post essa semana. Saco cheio, sonolência crônica e outros motivos que não vem ao caso agora são o motivo para isso.
(Além, é claro, da minha preguiça normal)
Pode ser, também, porque tudo parece mais triste por aqui depois que a minha priminha foi embora.
Criança faz falta, mesmo. Elas alegram a casa.
Tudo bem, em duas semanas eu estarei vendo ela de novo. Aniversário de 1 aninho.
Ou seja: em duas semanas, outra semana sem posts.
Na próxima semana, voltamos à programação normal (assim espero).
Surto postado por Midnight Maya às 15:05
Agora existe um site oficial do Michael Moore em português. Clique aqui para acessar.
Dica encontrada no Sobrecarga
Surto postado por Midnight Maya às 20:28
Olha só o que andou passando pela minha cabeça essa semana: o nome do otário presidente dos EUA é George Walker Bush. Walker, por sinal, me lembra aquele whisky, Johnny Walker.
Pelo que eu sei, o Bush filho já foi alcoólatra. Acho que o Bush pai também tomava umas de vez em quando, então:
Será que George H. Bush tinha tomado umas a mais quando escolheu o nome do filho, e por isso o presidente americano tem nome de whisky?
Well, Keep Walking.
Não ter mais o que fazer é fogo...
Surto postado por Midnight Maya às 18:47
Olhando no meu e-mail a parte do "lixo eletrônico", além dos Bagles de sempre eu recebo isto:
Patrocínio Central de spams e-mails Mondo Bizarro
Essa tal de Anne, será que ela é lésbica?
Ou só me pescou por engano? Afinal, o destinatário original não sou eu, mesmo.
Fiquei até curiosa para clicar no tal link. Mas o medo dos Cavalos-de-Tróia não deixou.
Cada louco que me aparece...
Surto postado por Midnight Maya às 17:29
Como todo ano acontece em BH, estamos em época de Axé.
Como em todo ano, o Axé está sendo no Estádio Independência, que fica só a alguns quarteirões da minha casa.
Como sempre, milhares de pessoas, entre pré-adolescentes, adolescentes, quase adultos, e homens/mulheres feitas que não cresceram estão se acotovelando (ou melhor se atropelando) no estádio, ficando uns com os outros, bebendo, se drogando, beijando, transando e até mesmo "chamando o Raul".
Como sempre, eu não consigo me concentrar em nada por causa da barulheira infernal. E nem adianta fechar a janela: o barulho continua.
Como já é normal, a farra só acaba à meia-noite. Ainda assim, só por causa da Lei do Silêncio.
E o pior é que eu odeio Axé.
Eu não mereço isso. Ou mereço?
Surto postado por Midnight Maya às 15:28
Segunda-feira, umas 11 horas da manhã. Eu estava na escola, como era esperado. O colégio em que eu estudo é católico, e por isso é ligado a uma paróquia. Então, acho que não tem nada de mais receber um recado do padre responsável pela paróquia. Mas o recado em si...
A Paróquia *** convida todos vocês a participarem das comemorações dos 40 anos do Golpe de 1964 (...)
Veja bem, ele disse comemorações. A primeira coisa que me veio à cabeça na hora foi: Pô, isso é coisa que se comemore? Depois o mal-entendido foi desfeito: várias igrejas, a maioria franciscanas, fizeram parte da resistência ao regime militar. Ah, agora sim. Mas podia ter falado antes que a comemoração era da resistência, e não do golpe em si.
Aliás, falando em resistência, eu lembro da minha mãe contando que, na época que ela estudava no colégio, ouviu várias histórias "a boca pequena" sobre os horrores desse regime militar. Esses casos incluiam: professores que sumiam misteriosamente (e quem perguntasse deles sumia também), alunos que na verdade eram espiões ou delatores, as reuniões dos universitários simpatizantes do comunismo dentro da paróquia; quem contou isso a ela foi uma bibliotecária do colégio, tudo com muita discrição porque as paredes tinham ouvidos. E quando minha mãe fazia teatro amador (isso no começo dos anos 80), eles sempre tinham que exibir a peça antes para os censores. Não chegou a acontecer com ela, mas eu soube que muitas peças foram canceladas em cima da hora por causa da censura.
Eu acho que tenho muita sorte de viver no Brasil hoje. A economia pode estar um caos, a corrupção comendo solta no alto escalão, mas pelo menos hoje nós podemos dizer o que quiser. Se ainda houvesse regime militar, quantas obras teriam sido censuradas? Se isso acontecesse, talvez a Internet também caísse na censura, como acontece na China. Então, não teríamos acesso a toda essa informação. E certamente não existiriam blogs brasileiras, porque o blog é quase sempre um veículo de opiniões e idéias. E nessa época, a sua opinião tinha que ser a opinião do governo; caso contrário, exílio, ou pior ainda, tortura e morte.
Voltando ao tal evento, uma colega minha foi, e disse que foi muito emocionante, passaram um vídeo nostrando os horrores daquela época, e depois teve uma palestra com um homem que me parece que era da resistência.
O nome do evento? Pra não Dizer que Não Falei das Flores. Vejam a letra e entendam por quê.
Surto postado por Midnight Maya às 14:25
O que é isso, afinal?
Pensamentos, bobeiras, idéias e brainstormings publicadas quando eu tiver tempo ou inspiração (o que vier primeiro)
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